terça-feira, 19 de julho de 2011

O que é a dança?


Por Moema Ameom

Se me pedem para definir dança em uma única palavra ou expressão, digo que ela é movimento. Partindo dessa associação pri-meira, sou levada a pensar que tudo o que se move, dança. Neste tudo estão inclusos o mundo físico e natural, os seres que habi-tam este mundo e os seres que exis-tem neste mundo. Tudo dança, porque tudo se move. [...]Tudo se move porque está su-jeito a um ritmo necessariamente, seja esse ritmo algo extremamente particular e pró-prio, intrínseco, ou algo universal e extrín-seco.” Aline Brasil

FONTE: http://alinebrasil-dancaravida.blogspot.com/

Bio-ritmo. Tempo vital. Todo movimento tem um tempo orgânico sendo construído de maneira intrínseca e extrínseca a cada segundo. Estes processos vitais constroem o Corpo Físico. Seus ritmos regem a coordenação motora estimulando (ou não) o mergulho nas manifestações vitais contidas na proposta química da ação X reação. Este tempo, ao ser observado e respeitado, faz da dança algo capaz de regular as contrações e expansões formadoras do movimento de concentração – aquele que mantém a aglutinação molecular.

A arte, em geral, exige do organismo um tempo especial de absorção, assimilação e realização, muito semelhante àqueles produzidos pelo diafragma (órgão central do aparelho respiratório). Nada deve ser conduzido à rigidez de uma forma sem que antes seja desenvolvido um cuidado especial com o tempo emocional. Atropelar o ritmo minimiza a capacidade de sentir o movi-mento das águas dançando durante o ato de expirar.

Como ditar normas para os ventos que coreografam a dança das árvores e suas folhas? Quanto tempo é preciso para observar o vôo das borboletas que desfilam suas belas alegorias carnavalescas diante de nossos olhos? Quanto tempo é necessário para guardar na memória esta imagem? Para imprimi-la na cognição? E para reproduzi-la em nossos movimentos? Como podemos apreender o que nos interessa se o tempo de organização sistêmica não for respeitado?

Sempre é bom lembrar que tempo é história e a nossa deve ser escrita por nós.

Não é?

O Samba


Por Moema Ameom

O samba surgiu da mistura de estilos musi-cais de origem africana e brasileira.[...] O termo samba é de origem africana e tem seu significado ligado às danças típicas tri-bais do continente.[...] As raízes do samba foram fincadas em solo brasileiro na época do Brasil Colonial, com a chegada da mão-de-obra escrava em nosso país.
O samba baiano é influenciado pelo lundu e maxixe, com letras simples, balanço rápido e ritmo repetitivo. Com palmas e cantos, os dançarinos dançam dentro de uma roda. [...] No Rio de Janeiro, o samba está ligado à vida nos morros, sendo que as letras fa-lam da vida urbana, dos trabalhadores e das dificuldades da vida de uma forma a-mena e muitas vezes com humor.[...] Entre os paulistas, o samba ganha uma conotação de mistura de raças. Com influência italiana, as letras são mais elaboradas e o sotaque dos bairros de trabalhadores ga-nha espaço no estilo do samba de São Paulo.

Fonte: http://www.suapesquisa.com/samba/

Samba... som miscigenado que faz com que as vibrações energéticas da medula percorram de Dó a Si todas as escalas coloridas da coluna vertebral – ler O Informal 41. Dança que bate atabaque para as forças da raiz sem deixar de embalar o coração com a permanência cadenciada do Fá. Ritmo abençoado que envolve o Sistema com a ousadia simples da criança, fazendo brincar a energia vital. Som que, tornando-se permanente, pode conduzir à indolência, pois deixa de estimular a ousadia, gerando acomodação sistêmica. Suas ondas sonoras harmonizantes embebedam o espírito, criando boa companhia aos processos de ilusão.

Mascara a realidade e embriaga a alma conduzindo à falsa beleza. “Deixa a vida me levar”... transforma-se em hino de uma compassividade permissiva onde o senso de responsabilidade desaparece, dando lugar à falsa entrega que desequilibra o tônus visceral, fazendo com que o esqueleto ósseo perca o rumo da estrutura.

As Escolas de Samba têm tudo para serem celeiros de construção de estados emocionais harmonizados, mas, como toda e qualquer escola de danças, para que assim venha a ser, é preciso um estudo mais detalhado dos valores nacionais. Um olhar mais jocoso sobre a malemolência proveniente dos corpos que, uma vez envolvidos pelo batuque, deixam brotar expressões sensuais que proclamam a criatividade como fonte natural de vida plena.

Som cheio de graça! Mantra sagrado que nos coloca em eterno contato com o Multiverso!

Comemora-se em 2 de dezembro o Dia Nacional do Samba.

Quase sem comentários


Por ReNata Batista

"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música." Friedrich Nietzsche

Esta frase nem precisaria de comentários, se não despertasse tantas reflexões pessoais.
Quando um ser coloca para fora a sua expressão pessoal, independente do som que ouve, pode correr, de fato, o risco de ser julgado insano. E este é um risco grave quando se busca ser considerado “normal” e ser aceito a todos custo em um determinado contexto.

A questão é: vale a pena dançar conforme a música em todas as situações? Tudo depende de COMO você encara esta dança, se a transforma em aprendiza-do ou em acomodação.

Quando dançar conforme a música significa um desafio interior, este movimento traz revitalização celular, estimulando a evolução pessoal através da transformação molecular.

Do contrário, quando o jogo de cintura característico do nosso povo brasileiro é uma sublimação dos desejos pessoais, a adaptação se torna acomodação.

Ou seja, o ponto chave é aprender a dançar conforme a música sem desistir de si próprio, fazendo disso fonte de fortalecimento pessoal, e não de entrega dos pontos.

Voltando ao Nietzsche, a música a que ele se refere pode ser tantas coisas... um desejo, um sonho, uma idéia. Algo que brota de cada ser e o move. Algo tão individual que é raro encontrar alguém que se abra para compreender. De um modo geral, o caminho mais fácil é julgar insanos aqueles que se movem por estímulos que se ig-nora ou não se compreende.

Com isso, muitos se tornam tiranos, donos da verdade, traçando planos para a vida alheia, criticando os caminhos trilhados pelos outros, julgando erros e acertos sobre os fatos e movimentos do mundo. Erros e acertos, sanidade e loucura, estão na bola da vez.

Onde vai parar esta coreografia? COMO dançá-la, revertendo-a em ganhos e aprendizados para todos?

O Sagrado


por Moema Ameom

A dança é um diálogo onde as palavras são movimentos. [...] ¹

Dançar, portanto, significa expressar o sentir através dos movimentos que o corpo produz ao captar o estimulo sonoro que o impulsiona, incluindo o silêncio. Sendo assim, para que o ato de dançar possa manifestar o prazer, alguns passos precisam ser trilhados. O último deles certamente é o aprimoramento técnico. O primeiro deve permitir o acesso ao desejo natural de expressar com o corpo seus sentimentos. Hoje em dia a origem deste processo pode ser observada com facilidade, graças à ressonância magnética.
A visão do feto se movendo no líquido amniótico, sinaliza a dança da essência vital formadora da matéria-corpo físico. O regente desta formação é o som da respiração da mãe.

Pautada nesta visão, acredito que dentro de todos os seres vivos do planeta o desejo se dançar exista de maneira muito contundente. Sendo assim, estes impulsos naturais, caso não ganhem espaço para serem liberado na infância, ficarão retidos em nós de energia, gerando um dos principais motivos de desregulagem do Sistema Orgânico.
Estes bloqueios inibem a comunicação do ser consigo mesmo, afastando o ser humano do real contato com seus sentidos. Lembremos aqui que o bloqueio energético tanto se manifesta com a falta como com o excesso de espaço.

A maneira como é moldado o corpo para expressar o que sente, é a parte mais fácil de todo o processo. Quando o desejo interno é despertado, a intenção direciona o corpo para a conquista da harmonia entre os processos emocionais e o desejo de falar através dos gestos, atitudes e expressões emanadas pelo corpo. A técnica é a escolha da forma que se-rá dada ao ato de expressar.
Importantíssima para a construção da estrutura emocional, precisa trilhar o caminho do equilíbrio através da regulagem do Hiper/Hipo tônus.
O questionamento é: Como saber o que desejamos sem sermos capazes de ouvir o som ou reverberação do estímulo proposto ao movimento? Assim como o feto não é capaz de se desenvolver sem a respiração proveniente da mãe, também o adulto não dança sem expirar suas emoções.

[...] o artista não exprime algo que lhe é exterior: procura ser verdadeiro; o seu corpo é a oferenda e a sua consciência é o oficiante. Ele dança com o espírito, quer dizer, exalta o corpo para sublimar. [..] ¹

Se o corpo for exaltado para sublimar, a que nível de consciência o texto se refere? Para que o Sistema em sua totalidade possa fazer da dança seu verdadeiro veículo de expressão, precisa primeiramente passar por processos de conscientização dos movimentos que é capaz (ou não) de executar com seu corpo físico. A emoção produzida nesta relação – consciência X movimento – pode conduzir à sublimação da matéria, construindo um mundo de alienação onde o campo sensorial, ao se distanciar dos fluxos nervosos existentes nas vísceras, constrói um profundo distanciamento do sentir.
Podemos ser extremamente verdadeiros expressando o que nos é solicitado pelos estí-mulos externos, mesmo porque, aprendemos a nos gerar neles. Apenas precisamos de es-paço para reconhecer o caminho a ser percorrido por nossos pés, iniciado no útero materno.

Fonte
¹ oracoesparadeus.blogspot.com/2008/09/dana-sagrada.html

A Dança e o Ser


Por ReNata Batista

A Dança é a arte de mexer o corpo, através de uma cadência de movimentos e ritmos, criando uma harmonia própria.
Não é somente através do som de uma mú-sica que se pode dançar, pois os movimen-tos podem acontecer independente do som que se ouve, e até mesmo sem ele.
A história da dança retrata que seu surgi-mento se deu ainda na pré-história, quando os homens batiam os pés no chão. Aos pou-cos, foram dando mais intensidade aos sons, descobrindo que podiam fazer outros rit-mos, conjugando os passos com as mãos, através das palmas.
O surgimento das danças em grupo aconte-ceu através dos rituais religiosos, onde as pessoas faziam agradecimentos ou pediam aos deuses o sol e a chuva. Os primeiros re-gistros dessas danças mostram que as mes-mas surgiram no Egito, há dois mil anos antes de Cristo.

Fonte: http://www.brasilescola.com/artes/danca.htm

Harmonia Própria: o que isso significa para você? Você é do tipo de pessoa que diz que não sa-be dançar? Já experimentou colocar em ação a sua harmonia própria para se expressar? A maioria das pessoas jamais ousou tal feito, buscando, com esforço, adaptar algo que lhes é próprio às regras, normas e técnicas vigentes.

O que poderá acontecer se você dançar um passo diferente do que está sendo dançado no salão da vida? E se soltar o esqueleto e deixar sua essência se mover ao sabor do estímulo, livre dos conceitos e dogmas criados antes de você poder optar por eles?
Você já deixou o som entrar direto no esqueleto que se move, sem passar pela cabeça que elabora conceitos e diz o que é certo e errado? Será que vale a pena? Você pode se divertir muito. Pode também “fazer feio”, “pagar um mico”...

Quando as coreografias criadas por outros se tornam amarras que nós aceitamos e assimilamos, elas dogmatizam a nossa expressão pessoal, gerando desconforto do ser no mundo e abrindo espaço para as doenças no corpo e na alma. De que adianta normatizar a sua expressão, tornando-a mais aceitável e igual às outras formas existentes?

Talvez valha a pena ousar, correr o risco de dançar ao sabor dos seus movimentos internos, mesmo que isso te diferencie muito dos outros... Não é necessário ser igual nem diferente, mas ser honesto. Talvez até você se descubra um(a) pé de valsa da vida, ou no mínimo descobrirá um “você” diferente daquele que já conhece.

Pode ser até que a experiência do bailado lhe abra novos portais para vivenciar a vida com outros ares, novas possibilidades e fluxos... Mas resta saber se esta proposta lhe apetece.

Você quer se harmonizar com a sua expressão?

EU, dançarina de mim




Li outro dia a seguinte frase dirigi-da a mim: ”Estou aju-dando alguém muito parecida comigo quan-do você me conheceu.” Pensei em seguida: “Como estava eu quando a conheci?”

Seguindo o pensamento co-mecei a desfiar o novelo de minhas estripulias do passado, com o intuito de rever minha c(u)oreografia. Senti, no momento da re.cor.da (a)ção, a cegueira dissipada aos poucos, iniciada nos três anos de trabalho dentro do Instituto Benjamim Constant, junto com Angel Vianna. Lendo e dançando com os cegos, amealhei questionamentos captados na vivência do impossível e do improvável. Com as crianças portadoras da Síndrome de Down na Pestalozzi, aprendi a ver anjos na terra. Conheci caminhos insondáveis de criação, alegria e simplicidade. Com os autistas, mergulhei no mutismo interno em que vivia. Vivia?

Bailarina profissional, colhendo os ensinamentos de Klauss Vianna, tornei-me pro-fessora de ballet e coreógrafa. Dentre os alunos, paraplégicos, tetraplégicos e amputados ensinaram-me a enxergar diversos tipos de deficiência motora. Comecei a reconhecer a imensa imobilidade, fruto da inflexibilidade energética proveniente da arrogância e prepotência; escudos necessários para camuflar o medo da insegurança. Desvendei mistérios sobre minhas deficiências na área da locomoção.

Como atriz, conheci os surdos-mudos, cujo gestual abriu-me imensos portais de comunicação corporal. Aprendi sobre o valor das mãos e da captação dos sons através da pele. Como estava surda para minhas emoções!

Na clínica para viciados, em trabalho doído e penoso, vivenciei nas entranhas as dependências químicas, todas conquistadas bem longe das drogas reconhecidas como tal. Ampliei a visão para as toxinas hormonais que meu Sistema Humano produzia, devido à retenção do fluxo/refluxo da essência vital.

No hospício, libertei a alma! Dra.Nise da Silveira, em poucos dias de partilha, sinalizou-me a arte reprimida que consumia minhas vísceras. Uma vez questionou-me: “Porque você tem tanto medo da sua capacidade de Ser artista?”

Um dia, outra frase gerou conexão; “Você não tem a menor consciência do valor do seu trabalho.” Proferida em inglês pelo Dr. Stèphano Sabetti, colocou-me durante muitos anos no calabouço das dúvidas do entendimento.

Foi esta matéria claudicante, perdida entre tantos aprendizados estarrecedores, sem saber as respostas para as imensas interrogações acumuladas, que encontrou quem me escreveu. Dançarina perdida dentro de um corpo expressivo, tido por meus mestres da dança como sendo um corpo inteligente. ??????

Fui aprendendo aos poucos, a rever ensinamentos, reestruturando-os. Ajudando o próximo, aprendi a recriar meu corpomente. Pari um método para objetivar a reorganização: Moitakuá.

Acabei por descobrir que, sendo mãe, havia despertado a criança.
Sendo avó, libertei-a para a brincadeira.

Com o apoio incondicional do Dr.Julio Parreira, ao meu lado há 28 anos, ainda estou me despedindo dos dramas fincados há milênios, em minha estrutura óssea.

Agora, pelo menos, sei que sou capaz de dançar a minha música, produzida pelo meu som!
Reverencio o maestro que a rege!! A cortina pode fechar; os aplausos me pertencem!