Fui como representante de Moitakuá, ajudar nos processos emocionais que uma tragédia sempre provoca. Aliás, a vida no seu curso natural sempre os provoca. Estamos aqui para viver processos emocionais!
Fui conversar com o pessoal da Visão, já que eles estão mobilizando voluntários, pra ver se pelo menos nos alojamentos nós conseguiríamos fazer a coleta seletiva. De lá, acabei indo parar na Secretaria de Educação. Criei e apresentei o projeto Arte do Movimento Sustentável - programa de Conscientização Ambental e Humana, consistindo em:
> Incentivar a Coleta Seletiva
A proposta nunca foi atingir um número imenso de pessoas de início, mas abrir um canal diferente de possibilidade criativa e criadora. Apontar um caminho no meio do caos. O que viesse para o futuro, seria lucro.
Maktub!
Paralelamente, fui, tal e qual uma formiga, colocando gota a gota a conscientização sobre o valor da reciclagem e a necessidade da Coleta Seletiva. Articular os catadores de lixo foi uma missão árdua, inclusive porque o reconhecimento geral da importância deles não existe. A idéia que se faz é de que eles são porcos que têm que catar o lixo como ele estiver, e se estiver misturado com comida, que separem. Dizem que é muita folga o sujeito querer encontrar as garrafas pet e os copinhos separados dos restinhos de comida, uma vez que é o trabalho deles!
Essas e outras micro-missões, eu fui encarando. Fazer e refazer cartazes pra convencer de que separar é fundamental para a roda girar.
É um caminho árduo, que só me convenceu mais e mais de que as grandes revoluções se fazem com pequeninos atos e atitudes.
Um dia, eu estava lavando os galões de lixo onde eu arduamente trabalhava para que os materiais fossem descartados seletivamente. Pedi a uns voluntários paulistas:
- Algum de vocês pode me ajudar numa missão sanitária ecológica?
Os olhares foram de esquiva.
- Mas nós estamos aguardando para ir para uma missão sanitária ecológica...
OK! Fui pegar baldes enormes cheios de água para levar pra área externa e lavar os galões... e eles ficaram olhando, provavelmente porque o trabalho de esperar não podia parar! Depois fiquei pensando: eu posso ter sido grossa com eles, afinal de contas estava passando mal, portanto não estava pra gracinhas e simpatias. Talvez eu tenha expulsado meus prováveis ajudantes... Que fique a lição - não para eu ser simpática quando não quero, mas para observar-me internamente antes de me comunicar com alguém.
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Ou seja, o propósito no ual investi foi: plantar uma semente legítima na cidade. Uma vez que não ficaria lá pra sempre, fazia parta da minha missão disseminar idéias que, espero, germinem um dia – assim como espero que não demore... mas isso não depende de mim. O que eu podia, fiz.
Quisera eu ter feito mais. Mas fiz o que pude. E, sendo verdadeira a semente plantada, sei que vale muito mais do que uma grande árvore que não tem verdade e fica sem raiz. Agora, tudo só depende da fertilidade da terra...
Que assim seja!
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Minha missão durou 2 semanas (de 1º a 16 de janeiro), que pareceram meses, tamanho o trabalho. Até as pessoas que estavam lá sentiram isso.
Hoje é 22/jan e estou na casa de meus pais, a 1 hora de Ilhota. Amanhã retornarei para as derradeiras ações. Encerramento desta etapa. Haverá outras, revisitarei Ilhota ainda. Mas isso, sabe-se lá quando será...
