quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Conviver com a tristeza


Moema Ameom

O renomado psiquiatra Miguel Chalub em entrevista a Isto É, transcrita em partes pel’O Informal, vem nos sinalizar a importância de vivenciarmos a tristeza.

Quando diz que “a tristeza patológica fica nas entranhas” e “as raízes da depressão estão na infância”, abre-me um caminho de debate em torno de idéias moitakuenses.

O nível de intensidade de retensão energética realmente é a grande responsável pela depressão orgânica. Uma está estreitamente relacionada à outra e formam entre si um forte elo de união. Podemos ver esta relação mais ou menos assim: pequena retensão ocasionará um simples fluxo de tristeza que se dissipará quando o momento fizer o mesmo; a média produz um colapso emocional que permanecerá no organismo por um tempo mais prolongado e a grande retensão energética instala-se no Sistema transformando-se em tristeza patológica, ou seja, aquela que não encontra mais caminhos para sair das vísceras. Estagna-se nas entranhas.

O fluxo emocional é contínuo. Produzido pelas ondas neurais, distribui-se pelo Corpo Físico – CF- estimulando-o à entrega aos riscos, gerando motivação construtora de ações e reações. Sendo este ir e vir o princípio vital, as ondas que saem do CF, retornam ao mesmo conduzindo-o a convivência com os processos da vida. Quando, desde a infância, os riscos e demandas provenientes dos mesmos não ganham apoio necessário para que possam ser vivenciados na totalidade, pequenos nós energéticos vão surgindo instalando-se nas águas orgânicas: músculos, ligamentos, tendões, órgãos (incluindo a pele) e ossos( incluindo unhas e pelos).

Conforme diz Dr. Chalub, “os acontecimentos atuais não levam à depressão verdadeira, só muito raramente.” Certamente não levam, porém, aumentam bastante o que já existe, intensificando a pressão e proporção do nó. Um dos sinais bem óbvios do corpo quanto a este movimento são os tumores, que demonstram um grau de depressão aguda da matéria. Acúmulo de energia cujo ciclo se constrói no antifluxo, acaba por hiper aquecer moléculas, causando os tumores e o Câncer. A tristeza patológica seria o câncer emocional numa comparação um pouco grosseira feita com a intenção de facilitar a compreensão da idéia.

“Mexer na infância pode ser muito doloroso” conforme diz nosso ilustre médico. Mexer no corpo também. Porém, quando associamos corpo e mente através da arte, o lúdico desperta a fantasia e a dor fica bem mais leve de ser suportada. Passa até mesmo a servir de motivação para belas descobertas sobre a vida já vivida por dar à mesma capacidade de servir como fonte de aprendizado para passos futuros.
A dança da vida surge como divindade e benção.

Itaipuaçu, 15/11/2010

Dinheiro Virtual

Moema Ameom

Será que uma vida construída na virtualidade é capaz de adentrar a realidade financeira? Partindo do princípio que a busca cada vez mais incessante pela vida virtual deve-se ao enfraquecimento do estado emocional e, sendo o mesmo, ampliado pela fuga da realidade, como ser capaz de confrontar as dificuldades da vitalização? Sem o fortalecimento interno ressonante com as ondas emocionais decorrentes dos riscos, como captar sintonia com motivações vitais?

Estes foram os questionamentos feitos na última edição d'O Informal.
A narrativa da matéria nos confronta com uma realidade bem triste, que vem a ser a dificuldade dos jovens de hoje, construtores do amanhã, de coordenarem com equilíbrio seus movimentos monetários.

Sendo os responsáveis pelos processos do futuro, que tipo ou qualidade de mercado financeiro podemos vislumbrar? Acredito que talvez este seja um dado que desperte a curiosidade dos adultos hoje responsáveis pela orientação dos mesmos, uma vez que, devido à aposta acirrada na importância dos valores materiais, passaram a relegar para segundo (ou último) plano, os verdadeiros valores de construção do indivíduo.
Quem sabe agora, diante desta calamidade que se apresenta, os seres humanos venham a olhar com mais atenção para o apoio emocional necessário na boa formação de crianças e jovens?

Como torná-los capazes de conviver com os movimentos vitais que tanto os amedronta fazendo-os buscar refúgio na virtualidade?
Projetando sobre eles um grau de atenção equilibrado onde a objetividade esteja focada na condução de suas ânsias e desejos.

Sonhos costumam fomentar o que possuímos de virtual dentro do organismo, pois estimulam a potência criativa proveniente do lado direito do encéfalo; criatividade (real fonte de vida) canalizada apenas para a imaginação é geradora da desvitalização interna. Sem que venham a aprender a como lidar com estes impulsos energéticos, observando-os como sendo motivação que os direciona a um grau intenso de trabalho importante na concretização dos mesmos, acabam por fomentar a virtualização mental. Acreditam que são capazes encolhendo-se no medo de testar se realmente o são.

O Sistema Humano é construído através da regulagem do tônus visceral, e o mesmo, para produzir equilíbrio no esqueleto ósseo – estrutura do Corpo Físico -, necessita de sintonia harmônica com as ondas nervosas provenientes de ambos os lados do encéfalo. Esta construção tornar-se-á desequilibrada caso a imaginação e a fantasia não possam se unir de maneira adequada aos movimentos de razão e lógica, colocando a coordenação motora em teste constante. Os riscos vividos tendo apoio emocional, serão transformadores do medo que passará a ser sinalizador dos limites.

Os estímulos à acomodação que a vida moderna apresenta como sendo status social, não possibilita uma boa (in)evolução motora acarretando debilidade emocional. A matéria orgânica precisa de testar-se diante de dificuldades fazendo, destes testes, provas de habilidade e não estímulos para sofrimento. Um corpo que não vê sua capacidade de se defender em todos os sentidos – utilizando os sentidos -, não tem como desenvolver segurança. É bom clarear que estou falando de: visão, olfato, audição, paladar e tato que serão os mestres nas provas de experimentações corpóreas, desde que suas atividades sejam conscientizadas.

Seres inseguros, sempre estarão em busca de subterfúgios quando diante dos confrontos com os fatos da vida desagradáveis e incômodos. Nada melhor do se imaginar potente utilizando para isso o caminho financeiro, uma vez que é o mais importante para a sociedade vigente. Esta é a receita para a formação de seres humanos prepotentes que tenderão a gerar inveja, ciúme, raiva, tristeza, euforia, dentre outras deturpações de ondas sensoriais que costumam chamar de sentimentos. Todos eles veículos de desequilíbrios emocionais.

Quando vemos os caminhos espirituais sendo distorcidos pelo valor financeiro, o que mais podemos esperar desta sociedade que nos cerca?
Eu espero, com fé, pelo despertar de um novo paradigma de consciência onde o cuidado permanente com os Sistemas Nervosos seja aprendido nos lares e nas escolas, por pais e professores.
A metodologia já existe: Moitakuá.
Será pedir muito aos céus?

Itaipuaçu, 15/11/2010

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

ALEGRIA é ...

... transcender a luminescência mergulhando na escuridão da luz

... encontrar no vazio a razão do insustentável

... fazer da tenacidade a companheira permanente do renascimento

... ultrapassar o som captando dele o valor do silêncio

... olhar o sorriso da criança, sendo capaz de ver o espírito nele presente

... viver o momento captando os ensinamentos inseridos na intuição

... construir o corpo físico como sendo passagem da alma

... fazer dos movimentos vitais, nele existente, instrumentos captadores de ações e reações externas, alheias à nossa vontade

... aprender a aprender, com a força da transformação, a torná-los mutáveis diante das emoções nele inseridas

... encontrar o desejo enraizado nos ossos e assim, poder ...

... ser alegre ... simplesmente, absorvendo a essência da beleza existente na vida.
Com seu perfume, construir o cotidiano!
                                                                     

                                                                  Moema Ameom

Alegria, Alegria

Composição de Caetano Veloso

Caminhando contra o vento
Sem lenço e sem documento
No sol de quase dezembro
Eu vou... (...)

Por entre fotos e nomes
Os olhos cheios de cores
O peito cheio de amores vão
Eu vou
Por que não,
por que não...

Ela pensa em casamento
E eu nunca mais fui à escola
Sem lenço e sem documento,

Eu vou...

(...) Por entre fotos e nomes
Sem livros e sem fuzil
Sem fome, sem telefone
No coração do Brasil...
(
...) Sem lenço, sem documento
Nada no bolso ou nas mãos
Eu quero seguir vivendo, amor

Eu vou..."



Seria este ícone dos anos 70 responsável pela conotação criada entre Alegria e Irresponsabilidade?
                               Poderia ter auxiliado a destruir a tenacidade e a disciplina na formação de uma era?
           Teria ajudado a doar aos jovens um estado de euforia capaz de intensificar o uso das drogas?
                                     Como construir uma vida sem lenço nem documento e querer seguir vivendo?
                                 Que qualidade de vida é alcançada sem disciplina?
                                                                                                E com excesso dela?
      Poderá esta cisão entre dois processos disciplinares inseridos na educação ser responsável pela onda de
                                          violência que hoje presenciamos?
Vamos conversar sobre estes assuntos no Blog?
Aguardo por você!
                                               
                                                Moema Ameom                                                         

A melhor coisa que existe

                                 
                                                                                                         ReNata Batista

É tão bom ser alegre quanto triste, a verdade é a melhor coisa que existe.” Esta é a minha versão para o verso de Samba da Bênção de Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Não que eu duvide dos nossos poetas que cantaram “é melhor ser alegre
que ser triste, a alegria é a melhor coisa que existe”... Eu gosto da alegria, mas é que esse negócio de renegar a pobre da tristeza é muito chato! Quando ela bate, não adianta gostar ou não, o fato é que ela bateu. Vamos fingir que ela não chegou, e vamos sair correndo pra longe, como se ela não existisse?

Se não damos um tempo para perceber a verdade das nossas emoções, não temos como amadurecer o nosso estado emocional. Se nós estamos vivos, estamos sujeitos a emoções diversas que nos arrebatam o tempo todo. E transitamos por nuances de sentimentos... Ora, um pouco de introspecção também faz bem ao coração. E nem por isso estamos menos
aptos à alegria!

Nós, brasileiros, somos muito conhecidos pela nossa alegria. Somos esfuziantes, barulhentos, falamos alto, cantamos, nunca - ou quase nunca - ficamos quietos. Mas até que ponto isso é mesmo alegria? Será que não estamos exacerbando a
alegria made in Brazil, colorindo-a com cores mais fortes do que o normal? Será que quando ela se tornou um “produto de exportação” nós não aprendemos a extrapolá-la para chamar mais a atenção? E vamos pra Sapucaí com nossos
tamborins o tempo todo, sem trégua...

Só não podemos nos esquecer de que até o neurônio tem em seu ciclo o Potencial de Repouso e o Potencial de Ação. Se estimulamos demais um deles, a corda pode roer pra um lado só. Posso estar enganada, mas isso não parece ser saudável...

Sejamos alegres, sim. E viva nós, que sabemos extrair prazer da vida! Mas vamos com verdade, porque a vida tem várias faces e faz bem olhar para todas elas.

                                                   O que você acha disso?